sexta-feira, 27 de abril de 2012

E quem disse que cursar Letras é fácil?

Finalmente, o post de Abril!

     Parece mentira que faz (apenas) quase dois meses que iniciaram as aulas! A sensação que tenho é que o semestre já está no fim... Explico: aquela luta lá em março pela vaga em Inglês e Literatura foi só o começo da batalha. Claro, eu já projetava que este primeiro semestre não seria fácil e, sim, com muito trabalho pela frente mas não imaginei o quanto seria puxado de verdade. Em primeiro lugar o mais difícil está sendo acordar cedinho. A pessoa que criou um horário de aula às 7:30 no campus do Vale não teve piedade dos pobres alunos... É muito longe para ser tão cedo! Sorte que os professores são compreensivos e dão certa tolerância no atraso, senão ficaria pior ainda. Nunca senti tanto sono na vida... Só com muita cafeína para dar conta!

    Estou matriculada em cinco disciplinas, sendo estas: Conceitos Básicos de Linguistica, Inglês I, Elementos do Latim I, Leituras Orientadas I e Literatura Brasileira A. São muitas, muitas leituras! Praticamente para todos os dias há polígrafos, textos e livros para ler. Alguns mais interessantes outros nem tanto. Mas, como diz o professor Seben, se tá na Letras tem que gostar de ler, não?! Evidentemente, isto consome tempo (e horas de sono), daí a falta de postagens aqui no blog pelo menos para dar aquelas primeiras impressões sobre as aulas/professores/disciplinas.

    Vamos, então, falar um pouquinho de cada uma delas:

    Conceitos Básicos de Linguística

    Num primeiro momento, tivemos contato com o preconceito linguístico, inclusive tendo lido o famoso e polêmico livro de Marcos Bagno “Preconceito linguístico – o que é, como se faz”. Depois, vimos algumas teorias sobre as origens da linguagem. De longe a melhor disciplina até o momento: nos faz refletir, debater, expressar opiniões. Porém... A primeira não se revelou o que imaginava: tantos debates bacanas em sala de aula para ter uma prova objetiva no melhor estilo vestibular? Sinceramente, não curti. Mas, vamos aguardar o que virá por aí!

    Elementos de Latim I

    Eu nunca imaginei estudar Latim. Agora que estudo, não sei dizer exatamente se estou gostando ou não. É bacana mas também nada fácil. E dizem que fica pior depois... Será?

    Inglês I

    Esta aqui está sendo uma prova de fogo... Porque já se começa em um nível intermediário e eu estava sem prática do idioma. Então, estou fazendo um esforço dobrado para acompanhar e entender tudo que é dado em aula – toda em inglês, é proibido falar português. Mas, já sinto que minha compreensão melhorou sensivelmente. Então, acho que o tratamento de choque está sendo positivo.

    Leituras Orientadas I

    Clássicos da literatura ocidental como Édipo Rei, A Ilíada, A Odisséia além de outros como A Divina Comédia, Hamlet, Dom Quixote e até Marques de Sade constam no programa da disciplina. Estamos lendo e analisando as obras. Teremos provas e trabalhos. Destaque para  o Antônio, professor da disciplina. Realmente valeu a indicação dos colegas veteranos que já cursaram LOI.

    Literatura Brasileira A

    Um professor, um nome: Seben. Acho que isto basta, não?! Ok, então posso dizer que já tivemos uma "provinha" discursiva com quatro questões e respostas que ocuparam muitas mas muitas linhas!

    Não poderia deixar de mencionar uma das coisas bacanas desse semestre: a criação do grupo "Limbo Acadêmico" no Facebook. É um grupo do qual fazem parte todos os deslocados da Letras que ingressaram no curso por outros processos que não o vestibular tradicional. Não somos bixos e não somos veteranos, somos o próprio limbo, como diz o Gustavo, criador do grupo. Além de ser uma espécie de refúgio virtual, lá trocamos informações, experiências e, claro, comentamos com bom humor e ironia as agruras do dia-a-dia na UFRGS. Vida longa ao Limbo!
Não é exatamente a imagem que quero passar, mas é assim que estou me sentindo...

domingo, 11 de março de 2012

Matrícula UFRGS: resultado final (feliz)

    Depois de uma semana bem agitada, onde houve a volta às aulas e todas as novidades que acompanham esta data, encerrou-se neste sábado o processo de matrícula da UFRGS. Foi quando, finalmente, pude respirar aliviada por ter conseguido vaga em todas as disciplinas que solicitei. Mas, lendo assim, parece que está faltando alguma coisa entre o último post (do dia 23/02) e o de hoje, não? Exatamente, a matrícula desta vez trouxe um certo stress e muita preocupação. Bom, vamos aos detalhes de tudo o que aconteceu.

    Primeiro, a origem do problema: eu e vários outros colegas ingressamos no curso através do processo Extravestibular, quando são abertas vagas para Transferência Interna e Ingresso de Diplomado.  Ora, se é dada a oportunidade de ingressar no curso por outra via que não o tradicional vestibular, espera-se que a universidade dê conta da demanda de vagas que será criada, principalmente em disciplinas do primeiro semestre, quando ingressam no curso novos alunos – os famosos bichos. Mas, num primeiro momento, não foi o que ocorreu. Como eu postei aqui em 23/02, eu havia feito a encomenda da matrícula esperando conseguir cinco disciplinas. Porém, no dia do resultado tive a desagradável surpresa de ter obtido vaga somente em três.

    E agora, o que fazer? Pensei muito, consultei alguns colegas mais experientes, pedi a opinião do Alexandre, etc. Só haviam duas alternativas: mudar todo o meu horário para ver se conseguia as cadeiras pretendidas ou partir para a nova etapa – ajuste da encomenda – deixando as três obtidas como estavam e insistir no pedido das outras duas. Seguindo minha intuição e de acordo com a opinião geral, fiquei com a segunda alternativa. Dia 03/03 chegou e o resultado do ajuste me deixou 50% feliz e 50% muito preocupada: consegui Literatura Brasileira A e fiquei de fora (de novo) de Inglês I.

    Aí a coisa começou a complicar e o stress alcançou níveis alarmantes. Se eu não conseguisse esta disciplina agora, para este semestre, atrasaria meu curso em 1 ano – já que é oferecida somente no primeiro semestre de cada ano. E o pior: em 2013/01 enfrentaria as mesmas dificuldades, pois os aprovados no vestibular tem a prioridade na matrícula, ou seja, a única hipótese admitida era conseguir agora, em 2012/01!

    Iniciaram-se as discussões via Facebook. O que fazer? Enviar e-mail em massa para a COMLET? Confeccionar cartazes e, munidos de megafones, protestar em frente ao Instituto de Letras? Greve de fome? Sentar e chorar?

    Como bons alunos de universidade federal, nos organizamos e montamos uma estratégia: enviar e-mails para a COMLET, relatando nossa situação e pedindo uma solução para o problema da falta de vagas. E, mais importante: segunda-feira, dia 05/03/2012, às 7:30 hs, comparecer à aula para conversar com a diretora do departamento.

    Foi o que fizemos. E para nosso (parcial) alívio a professora nos informou de que seria aberta uma nova turma, a fim de atender a demanda criada pelo próprio curso que abriu vagas para o extravestibular em 2011. O alívio total só veio mesmo neste sábado, dia 10/03, quando consultamos o Portal do Aluno e tivemos a certeza de que realmente foi aberta esta nova turma e nossa matrícula estava garantida!

    Conclusão:  aluno da UFRGS tem que correr atrás, sempre. E não é só na hora dos trabalhos e provas, na hora da matrícula também. Tem que cobrar, reivindicar, fazer acontecer! No final, é essa capacidade de batalhar que vai fazer a diferença. Vencida esta etapa, agora é se concentrar e encarar os estudos deste semestre. Os próximos meses serão curtos para todo o trabalho que já está aí...

    Um feliz e produtivo semestre a todos!
   
    Em especial aos colegas que vivenciaram esta situação toda junto comigo.
    Foi difícil, mas, conseguimos, gente! ;)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Encomenda de Matrícula UFRGS

    Passados os festejos de Momo é hora de começar a levar a vida a sério e encarar que o ano começou de verdade. Pois bem, um dos lembretes de que devemos voltar a realidade é o início do processo de matrícula para o próximo semestre da UFRGS.

    Tudo começa com a “encomenda da matrícula”, onde o aluno escolhe as disciplinas que irá cursar e tenta selecionar os horários que melhor se encaixam a sua rotina. Importantíssimo também é que, nessa etapa e de acordo com informações colhidas previamente com veteranos, fazemos o possível para escolher os melhores professores e escapar daqueles cuja má fama os precede.

    Numa segunda e terceira etapas – ajuste da encomenda e matrícula de ajuste – existe a possibilidade de tentar novamente turmas com as quais não fomos contemplados ou pegar vaga em outras turmas/horários/professores.


    Bom, mas a partir de hoje, 23/02, até o dia 27/02, os alunos devem fazer a encomenda da matrícula. Por ter certa experiência nisso eu já estava planejando meus horários há dias. Tudo na mão porque a UFRGS só liberou a grade de horários ontem (22/02). Selecionei minhas disciplinas e obtive nada menos que 121 opções de horários. Corta um professor aqui, um horário acolá e sobraram ainda 30 opções. Como pretendo manter minha bolsa na PG pelo menos no primeiro semestre, tive que fazer mais alguns cortes e fiquei com 6 opções de horários. Ufa!

    As disciplinas selecionadas foram:

- Conceitos Básicos de Lingüística;
- Elementos de Latim I;
- Inglês I;
- Leituras Orientadas I;
- Literatura Brasileira A.

    Ao todo são 22 créditos, bem distribuídos  pelos cinco dias da semana.  Feita a encomenda, resta agora torcer para que dê tudo certo e eu consiga vaga nas turmas que solicitei. Caso contrário, vou ter que repensar algumas escolhas, selecionar outras turmas e ver no que vai dar.

    E você, caro colega da UFRGS, especialmente do curso de Letras, já fez sua encomenda de matrícula? ;)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Um texto sobre GATOS

    Quem me conhece sabe que sou uma admiradora dos felinos. São animais fascinantes, inteligentes, finos e, sem dúvida, muito companheiros. Ao contrário do que alguns (ou muitos) imaginam o gato é, sim, um ótimo bichinho de estimação - para mim um membro da família - mas somente para pessoas sensíveis o bastante para entrar em sintonia com ele. Não é à toa que temos aqui em casa cinco felinas maravilhosas, cada uma com uma personalidade única. Sem exagero, posso dizer que tanto eu quanto o Alexandre, somos apaixonados pelas nossas gatas. Oferecemos o que há de melhor a elas, tanto em cuidados quanto em atenção, carinho e respeito.

    Mas, o que isso tem a ver com o blog? Bom, se falo aqui - entre outras coisas - de escritores, livros e afins, nada mais justo do que publicar este belo texto, escrito por Artur da Távola (1936-2008), advogado, jornalista, radialista, escritor, professor e político brasileiro e, evidentemente, também um profundo admirador dos felinos.

    Boa leitura!

Simplesmente gatos
Artur da Távola
  
    Bichos polêmicos sem o querer, porque sábios, mas inquietantes, talvez por isso... Nada é mais incômodo que o silencioso bastar-se dos gatos. O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece.

    O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência. O gato não satisfaz as necessidades doentias do amor. Só as saudáveis.

    Lembrei, então, de dizer, dos gatos, o que a observação de alguns anos me deu.

    Quem sabe, talvez, ocorra o milagre de iluminar um coração a eles fechado?

    Quem sabe, entendendo-os melhor, estabelece-se um grau de compreensão, uma possibilidade de luz e vida onde há ódio e temor? Quem sabe São Francisco de Assis não está por trás do Mago Merlin, soprando-me o artigo?

    Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele? Não! Até o bondoso elefante veste saiote e dança a valsa no circo. O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. O leão e o tigre se amesquinham na jaula.

    Gato não. Ele só aceita uma relação de independência e afeto. E como não cede ao homem, mesmo quando dele dependente, é chamado de arrogante, egoísta, safado, espertalhão ou falso.

    "Falso", porque não aceita a nossa falsidade com ele e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade. O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor. Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e ele o dá se quiser.

    O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio e espelho. O gato é zen. O gato é Tao. Ele conhece o segredo da não-ação que não é inação. Nada pede a quem não o quer. 

    Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se. Não pede amor, mas se lhe dá, então ele exige.

    Sim, o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas, quando o sente é capaz de amar muito. Discretamente, porém sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano mas se comporta como um lorde inglês.

    Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência.

    Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.

    O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós). Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos, ele se afasta.

    Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele não está ali”. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.

    O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber.

    Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.

    O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato!

    Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo.

    O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo.

    Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones. Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade.  Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências.

    O gato é uma chance de interiorização e sabedoria posta pelo mistério à disposição do homem.
 
The ladies of the house
 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Cultura no coração de Porto Alegre (atualizado 2019)

    Quando eu criei o CosmoLetras o subtítulo não foi colocado por acaso. Minha idéia era falar em primeiro lugar sobre a vida acadêmica, depois sobre fatos do cotidiano e por último, mas não menos importante, sobre “algo mais”. Enfim, talvez eu não tenha conseguido cumprir à risca essa meta, mas um blog vai criando uma identidade própria, tomando corpo e personalidade, não sendo algo engessado. E, à medida que vai crescendo, os assuntos vão surgindo e eu vou escrevendo sobre coisas que são interessantes para mim e, talvez, para quem visite o blog de vez em quando.

    Então, nessa categoria do “algo mais” hoje escrevo sobre três lugares bacanas para visitar em Porto Alegre. Lugares esses onde se ganha muito e se gasta pouco, ou seja, para universitários que estão normalmente com a verba financeira reduzida, são uma boa opção de cultura grátis. São eles: Casa de Cultura Mário Quintana, Museu de Arte do Rio Grande do Sul e Santander Cultural - todos localizados no centro histórico da capital e com entrada franca.

Casa de Cultura Mário Quintana

    Originalmente era um hotel de luxo - o Hotel Majestic – onde residiu por vários anos o poeta gaúcho Mário Quintana. No final de 1982 o governo estadual adquiriu o prédio e entre os anos de 1987 e 1990 desenvolveu-se a obra de transformação do hotel em casa de cultura. Hoje abriga vários espaços culturais: salas de cinema, teatro, bibliotecas, galerias de arte entre outros. Também tem cafés e livraria.

    Minhas impressões: já na entrada o visitante sente  uma certa atmosfera de início de século XX e, sem esforço, é possível imaginar a movimentação do hotel nessa época: Porto Alegre em franco crescimento, homens de negócios chegando, as mulheres elegantes em seus trajes e chapéus... Devaneios? Talvez, mas sempre que vou lá, antes de conferir o que está exposto ou tomar um cafezinho no 7º andar, gosto de ficar em uma das sacadas e voltar um pouco no tempo, imaginando o clima da CCMQ quando era um hotel. Para ver tudo que a Casa de Cultura tem é interessante subir de elevador até o último andar e depois descer pelas escadas, em "zigue-zague", entre um lado e outro do prédio. Dessa forma, é possível visitar todos os espaços onde há exposições e outros atrativos do local além de tirar várias fotografias.

MARGS - Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli

    Este magnífico prédio foi construído em 1913 para abrigar a Delegacia Fiscal. Não é exagero nenhum chamá-lo de jóia arquitetônica, com seus vitrais, mármore e ornamentos. A partir de 1996 foi iniciado um trabalho de restauração, para adaptar o prédio aos padrões internacionais de museologia, inclusive nos quesitos de temperatura e umidade internas. Também possui loja de produtos exclusivos, bistrô e café (neste último é servido  um ótimo croissant para acompanhar o café).

     Minhas impressões: o aspecto externo do MARGS já é um convite à contemplação e à fotografia. A suntuosidade se completa ao entrarmos no prédio, com suas escadarias forradas de vermelho, os azulejos antigos decorados,  lustres, portas e janelas, tudo é grandioso. Sempre vale a pena conferir a exposição que estiver ocorrendo, mas destaco uma que ficará para sempre na minha memória: a exposição comemorativa ao Ano da França no Brasil. Foi emocionante ter a oportunidade de ver de pertinho obras de grandes pintores como Renoir, Van Gogh, Monet, Dalí e Miró.

Santander Cultural

    Construído entre os anos 1927 e 1932, sendo a antiga sede dos bancos Nacional do Comércio e Sul Brasileiro. Além de promover diversas atividades nas áreas de artes visuais com exposições fixas e itinerantes, também conta com cinema – que engloba produções independentes oriundas de vários países e projeções comentadas e espaços de música - o Átrio e a sala Multiuso - que recebe apresentações de vários artistas nos finais de semana. Também abriga o Telecentro, destinado à inclusão digital para pessoas da terceira idade.

     Minhas impressões: imponente, com suas portas pesadas, pilares e vitrais. Na maioria das vezes em que visitei havia exposições de arte contemporânea. Para exemplificar destaco duas exposições  bacanas que conferi: "Video Portraits" de Robert Wilson - onde as "telas" era monitores de LCD com "fotos" inusitadas de celebridades e que se movimentavam sutilmente e "FILE - Festival Internacional de Linguagem Eletrônica" que reuniu trabalhos de arte interativa, instalações e objetos sonoros, animações computadorizadas e vídeos. Outra atração à parte é o Café do Cofre e seu delicioso chocolate quente.

Atenção: após ficar fechado por três meses, o Santander Cultural reabriu em março/2019 como Farol Santander. Detalhe: a entrada NÃO é mais gratuita. O visitante deve desembolsar R$10,00 para entrar.

Dica: se você não gosta de agito, não visite estes locais na época da Feira do Livro de Porto Alegre. Os visitantes aproveitam a proximidade e fazem um tour por estes, que ficam lotados.

Para saber mais:

Casa de Cultura Mário Quintana: http://www.ccmq.com.br/