terça-feira, 28 de maio de 2013

"Hamlet" no Theatro São Pedro


    No último dia 25/05, tivemos a oportunidade de assistir à peça “Hamlet” de William Shakespeare. O protagonista é Thiago Lacerda, mas o elenco conta com vários atores, incluindo nomes consagrados como Antônio Petrin, Selma Egrei e Sylvio Zilber.


    No mesmo dia em que iniciou-se a venda de ingressos, corri até a bilheteria do teatro para garantir bons lugares para o espetáculo. Chegando lá, me deparei com uma fila que dobrava a esquina! Felizmente, eram pessoas interessadas em outra atração e eu pude comprar dois lugares excelentes, daqueles em que o espectador consegue ver até o olhar do ator no palco. Não preciso dizer que “me senti” pedindo entradas para “Hamlet” enquanto o pessoal se matava comprava ingressos para o “Guri de Uruguaiana” (não estou desmerecendo este trabalho, são duas coisas bem diferentes). O fato é que, cerca de duas semanas antes da peça, os ingressos já estavam praticamente esgotados. Portanto, vale a pena ficar ligado para não perder as coisas boas que tem vindo a Porto Alegre.

    Já assisti a outras peças e shows no Theatro São Pedro e preciso dizer que o lugar é muito bacana. Penso que isso contribui muito com tudo que é apresentado lá. Ou seja, o fato de ser no São Pedro já vale metade do ingresso...rs! Eu procurei não ler nada sobre a peça e o elenco antes de assistir: não queria ficar sujeita à influência de críticas, fossem estas positivas ou negativas. Também não sabia se Thiago Lacerda seria capaz de dar vida ao personagem de Shakespeare. No entanto, tivemos uma agradável surpresa! Thiago convenceu muito na pele do atormentado príncipe dinamarquês. E não foi por seus belos olhos verdes ou 1,93 m de altura. Ele realmente tem talento, carisma e conquistou o público gaúcho – lembrando que o ator  viverá o antológico capitão Rodrigo de Érico Veríssimo no cinema. Muito bacana quando, no intervalo para a segunda parte da peça, Thiago entra no palco com um aparato de maquiagem – maleta com luzes, tintas – e se maquia em frente à platéia.

Maquiagem no palco: ideia simples que agradou (foto: Michele Hillesheim)
    Como eu já escrevi antes, o elenco é bem grande. Todos os atores estão muito bem. Mas, quero dar destaque às atuações de Antônio Petrin – fantasma do rei, pai de Hamlet – Selma Egrei – rainha Gertrudes, mãe de Hamlet - e Rafael Losso – Horácio – que atuou mesmo estando com o pé quebrado. Anna Guilhermina – que vive Ofélia – também merece referência: sua personagem sofre pela rejeição de Hamlet e o assassinato do pai. Acaba, enfim, enlouquecendo. Numa demonstração emblemática desta loucura, a atriz sobe ao palco nua, para depois suicidar-se (ops, spoiler detected!). Eu admiro muito quem atua nesse meio. Às vezes, é complicado memorizar uma simples apresentação para a faculdade, imaginem um texto de Shakespeare! Claro que os atores possuem técnicas para tanto. Mesmo assim, acho um trabalho admirável.

    O único ponto negativo – que, felizmente, não chegou a ofuscar a peça – foram os celulares tocando no meio da apresentação. Eu já havia comentado sobre isso em minha página no Facebook: certas pessoas ainda precisam se civilizar, ter educação, porque isso  é muito desagradável, ainda mais no teatro. É evidente que atrapalha a concentração dos atores que, afinal, estão ali dando o melhor de si. Quem dera fosse proibido portar celulares e tablets em teatros e cinemas!

Agradecimentos ao público (foto: Michele Hillesheim)
    Mas, ok, com relação a “Hamlet” posso dizer que saímos do teatro com uma ótima impressão. Cultura sempre é uma forma de ampliar os horizontes e adquirir bagagem intelectual. Em tempos de cinema 3D custando cerca de 25 reais acho que vale muito investir R$60 (valor do ingresso desta peça) para prestigiar o trabalho dos atores no teatro.

    Espero que, em breve, possamos assistir a outros trabalhos tão bons quanto este!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Les Misérables

    Hoje venho falar sobre uma obra literária que atravessa o tempo sem perder o encanto: Les  Misérables, de Victor Hugo. Muito antes que chegasse às telas de cinema a grandiosa adaptação de 2012 eu havia lido uma versão condensada do livro e apreciado bastante a história de Jean Valjean. Até hoje me arrependo de não ter comprado uma edição linda que encontrei na Livraria Cultura por acessíveis R$83,00 (na época, acho que em 2010...).

    Victor Hugo - que também escreveu "Notre Dame de Paris", onde temos a história do famoso e infeliz sineiro corcunda - lançou este livro no ano de 1862, simultaneamente em diversas cidades - entre elas no Rio de Janeiro. Na capital francesa, em um único dia, foram vendidos sete mil exemplares! Fico imaginando a cena: a expectativa dos leitores, o livro chegando ao comércio e... o pessoal enlouquecido, ávido para conseguir um exemplar!

    Segundo a Wikipedia:

"A história passa-se na França do século XIX entre duas grandes batalhas: a Batalha de Waterloo (1815) e os motins de junho de 1832. Daqui resulta, por cinco volumes, a vida de Jean Valjean, um condenado posto em liberdade, até sua morte. Em torno dele giram algumas pessoas que vão dar seus nomes para os diferentes volumes do romance, testemunhando a miséria deste século, a pobreza miserável de: Fantine, Cosette, Marius, mas também Thénardier (incluindo Éponine e Gavroche) e o inspetor Javert."

    Ainda tenho lá em casa a versão condensada. Porém, nem preciso dizer que agora quero o livro completo! :) 

    Bem, o fato é que – mesmo o musical não sendo meu gênero preferido de filme - assisti, há algum tempinho, à produção dirigida por Tom Hooper. Saí do cinema de queixo caído! E, pelo que pude perceber esta opinião foi consenso entre os amigos/colegas/conhecidos que assistiram também. A cena inicial - em que Jean Valjean/Hugh Jackman está cumprindo pena de trabalhos forçados nas galés - já faz o espectador grudar na cadeira: o coro masculino, a letra da música, o mar revolto e os homens fazendo um esforço pesado e conjunto impressiona demais. O filme inteiro é excelente, mas há cenas especiais. E uma delas, talvez a mais esperada, é aquela em que a sofrida personagem Fantine - interpretada com maestria por Anne Hathaway - canta "I dreamed a dream". Tenho certeza que muito marmanjo durão ficou com um nó na garganta nesse momento, pois a cena além de triste é linda demais. Outra momento marcante é quando os manifestantes parisienses - sobretudo jovens - entoam a canção de protesto (que vou ficar devendo o nome). A pequena parte divertida, mas nem por isso menos importante, do filme fica por conta da cena na estalagem dos Thénardier, interpretados pelos ótimos Helena Boham Carter e Sacha Baron Cohen. Aliás, a escolha do elenco foi perfeita: não há um personagem "fora de lugar", todos parecem ter saído do próprio livro do autor francês.


    Diferente de algumas adaptações em que o cinema consegue destruir o livro, esta versão faz jus ao talento de Victor Hugo. Particularmente, prefiro sempre ler o livro antes de assistir ao filme. Gosto de imaginar os personagens, seus rostos e vozes. Quando ocorre o contrário - como em Game of Thrones e O Senhor dos Anéis - parece que este prazer se perde um pouquinho...

    De qualquer forma, recomendo demais "Les Misérables", tanto o livro quanto o filme. E tenho certeza de que, quem teve a oportunidade de assistir no cinema, vai lembrar sempre com emoção deste grande clássico.

terça-feira, 21 de maio de 2013

21/05 - Dia do Profissional de Letras


Parabéns a todos os colegas de Letras:
aos que já atuam ou estão estudando,
 aos profissionais e futuros profissionais da área! \o/

Semana Acadêmica Letras UFRGS

Em cima da hora, mas ainda está em tempo! :)

Entre os dias 20/05 e 24/05/2013 está ocorrendo a Semana Acadêmica do nosso curso. Segue o folder com a programação:


Maiores informações em: http://celdiscursodireto.blogspot.com.br

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Vergonha alheia

Post um pouquinho atrasado... ;)
    
    Quando ingressei no curso de Letras da UFRGS, fiz uma disciplina muito bacana chamada "Leitura e Produção Textual". Um dos textos que escrevi para esta disciplina foi sobre o ENEM como forma única de ingresso nas universidades públicas. Não vou transcrever o texto na íntegra aqui no blog porém, enumerei diversas  razões pelas quais não concordo que o ENEM seja utilizado para este fim. Razões como as peculiaridades de cada estado, já que o Brasil tem dimensões continentais - o que dificulta a aplicação de uma prova única. Outro problema seria o vazamento de provas e questões - coisa que já aconteceu mais de uma vez.
    
    Mas, eu não havia considerado um outro motivo: a qualidade/competência dos corretores do MEC. Ou, eu deveria dizer, a falta dela? Justifico minha crítica através do seguinte artigo:


    Tomei conhecimento deste absurdo através do Facebook. Alguns colegas de Letras colocaram a imagem da redação em suas timelines e, francamente, eu pensei que era uma brincadeira saída de algum site de humor! Infelizmente, não era... Mas, o pior foi a justificativa do MEC:

    "Em nota, o Ministério defendeu que o garoto ´dissertou sobre o tema sugerido´ em 20 das 24 linhas da redação. E que houve sim penalização nas competências 4 e 5, principalmente. O MEC afirma ainda que, embora ´inoportuna e inadequada´, a inserção da receita não teve a intenção de anular a redação, já que não foi ofensiva nem contra os direitos humanos."


Não escolhi o sabor "camarão" à toa...
    Será que preciso dizer que este candidato deveria, sim, ter sua "redação" anulada? Como assim, o candidato não fugiu do tema? E quantos dos profissionais do ensino concordariam comigo? Estes mesmos profissionais ultrajados por tantos problemas que vão desde salários baixos, péssimas condições de trabalho até a escandalosa e degradante "aprovação automática"!
    
    Se existem ocasiões em que sinto vergonha do nosso país é em ocasiões como esta. Como eu já escrevi certa vez, temos um governo que investe muito pouco no ensino público, mas que facilita para que o estudante ingresse nas faculdades. O mesmo estudante que sai fraquíssimo dos Ensinos Fundamental e Médio, que não sabe calcular, que não tem o mínimo embasamento em matérias como Química e Física, que não sabe escrever, não sabe interpretar. E ainda vem testar o examinador, dando uma de engraçadinho. E o que acontece? O MEC acha que está tudo bem.
    
    Que a educação pública vai de mal a pior, já sabemos. Mas, quando o próprio Ministério da Educação age desta maneira, constatamos que ela está definitivamente ameaçada!